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Meta AI nas eleições: TSE dá 24h à Meta e o que muda

Meta AI nas eleições: TSE dá 24h à Meta e o que muda

Meta AI nas eleições: TSE dá 24h para a Meta provar que trata Lula e Flávio igual, com multa de até R$ 1 milhão. Veja o caso e o que muda para você.

Meta AI nas eleições: TSE dá 24 horas para a Meta comprovar tratamento igual entre Lula e Flávio

A Meta AI nas eleições virou caso no TSE. O ministro Marco Aurélio Bellizze deu 24 horas para a Meta provar que trata Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) de forma igual, inclusive na geração de imagens pela IA do WhatsApp e do Instagram. Se não comprovar, a multa diária pode subir para R$ 1 milhão.

A decisão foi divulgada nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, a seis dias do segundo turno. A seguir, você entende o que aconteceu, o que a Meta respondeu, como outras IAs se comportaram em testes e o que muda para quem usa a Meta AI no dia a dia.

Resumo rápido

  • O caso: a campanha de Lula acusou a Meta AI de recusar imagens do presidente e aceitar pedidos favoráveis a Flávio.
  • 15 de outubro: o TSE mandou a Meta tratar os dois candidatos de forma igual, sob multa diária de R$ 500 mil.
  • 16 de outubro: o plenário do TSE manteve a decisão por unanimidade.
  • 19 de outubro: novo prazo de 24 horas para a Meta comprovar o cumprimento, com multa que pode chegar a R$ 1 milhão por dia.
  • Meta: nega favorecer candidatos, mas admite uma falha técnica temporária, que diz já ter corrigido.
  • Para você: a Meta AI passou a recusar imagens dos dois candidatos até o fim da eleição, em 25 de outubro.
Linha do tempo do caso Meta AI nas eleições no TSE, de 13 a 25 de outubro de 2026
Do teste da campanha ao novo prazo de 24 horas: as datas do caso.

O que aconteceu entre a Meta AI e o TSE?

A disputa começou com uma ação da campanha de Lula no Tribunal Superior Eleitoral. Entre as queixas estavam diferenças no alcance de publicações, dificuldades para impulsionar conteúdo no Instagram e restrições na geração de imagens pela Meta AI.

Segundo a campanha, testes feitos em 13 de outubro mostraram que o chatbot da Meta se recusava a criar imagens relacionadas ao presidente. Ao mesmo tempo, ela teria produzido peças favoráveis ao candidato do PL.

Em 15 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a Meta não favoreça nenhum dos dois. A multa diária fixada foi de R$ 500 mil. No dia seguinte, 16 de outubro, o plenário do TSE manteve a decisão por unanimidade.

A campanha de Flávio Bolsonaro foi autorizada a participar do processo como parte interessada.

O que o TSE exige da Meta?

A ordem vale até o fim do segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026. Ela não se limita à IA: atinge também o Facebook, o Instagram e as ferramentas de anúncio da empresa.

Segundo as reportagens sobre a decisão, a Meta não pode:

  • reduzir artificialmente a distribuição de conteúdos políticos de um dos candidatos;
  • tirar publicações dos sistemas de recomendação;
  • restringir resultados de busca de forma desigual;
  • alterar métricas sem justificativa.

Restrições continuam permitidas quando seguem regras aplicadas igualmente às duas campanhas, a legislação eleitoral ou ordens judiciais.

No caso específico da Meta AI, a empresa precisa usar critérios idênticos para aceitar ou recusar pedidos sobre os dois candidatos. Também deve informar quais critérios usa e quais correções fez.

Por que o TSE deu um novo prazo de 24 horas?

Na nova decisão, Bellizze rejeitou a tentativa da Meta de trocar os prazos definidos pelo tribunal. Para o ministro, “a substituição unilateral dos prazos fixados pelo juízo equivale a descumprimento”.

Agora a empresa tem 24 horas para entregar relatórios em português, com uma explicação sobre cada medida adotada. Documentos sem essa explicação não serão aceitos como prova de cumprimento.

Se a Meta não comprovar o cumprimento integral no prazo, a multa diária pode subir de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.

Há uma pequena divergência entre as fontes sobre o horário da nova ordem: uma reportagem fala em domingo à noite (18), e outras a datam de segunda-feira (19), dia em que foi divulgada.

O que a Meta respondeu?

Em nota divulgada em 16 de outubro, a Meta negou ter interferido ou favorecido qualquer candidatura nas eleições gerais de 2026. “A Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição”, disse a empresa.

Ao mesmo tempo, a Meta reconheceu que falhas técnicas temporárias atingiram a campanha de Lula. Segundo a empresa, seus sistemas estavam bloqueados para gerar imagens de candidatos, como pedem as regras eleitorais, e a diferença foi uma falha isolada, já corrigida.

A Meta também afirmou ter reforçado os filtros para impedir a criação de imagens dos dois candidatos.

Em análise preliminar, o próprio Bellizze reconheceu uma falha na ferramenta de controle de prompts, mas disse não ver indícios de que ela tenha sido deliberada ou sistemática.

Como outras IAs responderam a pedidos sobre os candidatos?

O site Poder360 testou seis ferramentas de IA generativa em 14 e 16 de outubro. Os pedidos foram uma arte com “Lula 13” e outra com “Flavio 22”, além de santinhos de personagens fictícios, como a Emília e o Saci.

Como Meta AI, ChatGPT, Gemini, Claude e Grok responderam a pedidos de artes de candidatos nas eleições
Resultado dos testes do Poder360 feitos em 14 e 16 de outubro.

O resultado mostra que cada empresa adotou uma política diferente:

IAArte de LulaArte de FlávioObservação do teste
Meta AIRecusouRecusouMesmo resultado em 14 e 16 de outubro
ChatGPTCriouCriouAtendeu aos pedidos diretos
GeminiCriouCriouIncluiu foto de Flávio sem que fosse pedida
ClaudeCriouCriouArtes com layout idêntico, sem rosto
GrokRecusouCriouFez uma imagem “minimalista” para Flávio

O DeepSeek ficou de fora porque não gera imagens na versão gratuita. O próprio Poder360 lembra que as IAs respondem de forma probabilística: o mesmo pedido pode ter resultados diferentes. Ou seja, não há uma regra única entre as empresas sobre como lidar com candidatos.

Quais são as regras de IA nas eleições de 2026?

O TSE não proíbe o uso de inteligência artificial na campanha. As regras estão na Resolução 23.610/2019, alterada pela Resolução 23.755, publicada em 2 de março de 2026.

  • Rótulo obrigatório: propaganda eleitoral criada ou alterada por IA precisa avisar, de forma clara, que o conteúdo foi fabricado ou manipulado.
  • Deepfake proibido: em setembro de 2026, o TSE fixou, por 5 votos a 2, que a proibição de deepfake vale para conteúdo realista que se caracterize como propaganda eleitoral.
  • Janela final: conteúdos sintéticos com imagem ou voz de candidatos não podem ser publicados, republicados nem impulsionados nas 72 horas antes e nas 24 horas depois da eleição, mesmo com rótulo.
  • Anúncios pagos: as plataformas precisam ter um campo para o anunciante declarar o uso de IA.
Regras do TSE para uso de inteligência artificial nas eleições de 2026
O que o TSE permite e proíbe no uso de IA na campanha.

O que muda para você que usa a Meta AI?

Para o usuário comum, o efeito mais visível é simples: até o fim da eleição, a Meta AI deve recusar pedidos de imagens de Lula e de Flávio. Isso vale no WhatsApp, no Instagram, no Facebook e no Messenger.

O restante do assistente continua funcionando normalmente. Se você quer entender melhor a ferramenta ou prefere não usá-la, veja nosso guia sobre o que é a Meta AI e como desativá-la no WhatsApp.

Algumas atitudes ajudam nesta reta final:

  • Desconfie de imagens perfeitas demais de candidatos, principalmente as que chegam por grupos.
  • Procure o rótulo de IA em peças de campanha. A falta dele pode indicar irregularidade.
  • Não compartilhe montagens de candidatos feitas por IA, mesmo como piada, se tiver dúvida sobre a origem.
  • Não use a IA como fonte de voto. Chatbots podem errar e até inventar fatos, a chamada alucinação.

Para aprender a reconhecer textos e imagens sintéticos, veja também nosso conteúdo sobre ferramentas que identificam conteúdos feitos por IA.

O que pode acontecer agora?

O próximo passo depende da resposta da Meta. Se o TSE considerar que os relatórios comprovam o cumprimento, a multa fica como está. Se não, o valor diário pode dobrar para R$ 1 milhão.

Até a publicação deste texto, não havia confirmação pública de que a Meta tivesse entregado os relatórios. Este post será atualizado se houver nova decisão antes de 25 de outubro.

Perguntas frequentes

Por que o TSE deu 24 horas para a Meta?

Porque o ministro Marco Aurélio Bellizze entendeu que a Meta tentou mudar por conta própria os prazos fixados pelo tribunal. A empresa precisa comprovar, com relatórios em português, que trata Lula e Flávio de forma igual.

Qual é a multa para a Meta?

A decisão original fixou multa diária de R$ 500 mil. Se a Meta não comprovar o cumprimento no novo prazo, o valor pode subir para R$ 1 milhão por dia.

A Meta AI favoreceu algum candidato?

A Meta nega e diz que não toma partido. A empresa admite uma falha técnica temporária, já corrigida. O ministro reconheceu a falha, mas disse não ver indícios de que tenha sido deliberada ou sistemática.

A Meta AI cria imagens de candidatos?

Não. A Meta afirma ter reforçado os filtros para impedir imagens dos dois candidatos. Em testes do Poder360 feitos em 14 e 16 de outubro, a Meta AI recusou os pedidos sobre Lula e sobre Flávio.

É proibido usar IA na propaganda eleitoral?

Não. O uso é permitido com rótulo que informe a manipulação. Deepfakes em propaganda são proibidos, e conteúdos sintéticos com candidatos não podem circular nas 72 horas antes e nas 24 horas depois da eleição.

Conclusão

O caso da Meta AI nas eleições mostra que uma falha de calibragem em um assistente de IA pode ter peso político e jurídico. A Meta nega favorecimento e diz ter corrigido o erro, enquanto o TSE cobra provas em 24 horas. Para o eleitor, a lição vale para qualquer IA: confira a origem de imagens de candidatos e busque informação em fontes confiáveis antes de votar, em 25 de outubro.

Fontes: CNN Brasil, Correio Braziliense, A Tarde, Poder360, TSE e Migalhas.

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