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Golpe com deepfake de Drauzio Varella vira alvo do MP-SP

Golpe com deepfake de Drauzio Varella vira alvo do MP-SP

Golpe com deepfake de Drauzio Varella é alvo de operação do MP-SP. Entenda o caso, como o anúncio falso com IA funciona e como não cair nessa armadilha.

Golpe com deepfake de Drauzio Varella: MP-SP faz operação contra grupo que vendia suplementos com voz e rosto falsos feitos por IA

O golpe com deepfake de Drauzio Varella virou alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo. Em 4 de novembro de 2026, o MP-SP cumpriu mandados de busca contra um grupo suspeito de usar IA para imitar o rosto e a voz do médico e vender suplementos sem aprovação da Anvisa.

A ação se chama Operação Merovingian e ainda está no começo. Veja o que se sabe, como esse tipo de anúncio falso funciona e o que fazer para não cair nele.

Resumo rápido

  • O que aconteceu: o MP-SP deflagrou a Operação Merovingian em 4 de novembro de 2026, com mandados de busca e apreensão.
  • Quem conduz: o CyberGAECO, núcleo de crimes cibernéticos do MP-SP, com apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro.
  • A suspeita: uso de imagem e voz de famosos, entre eles Drauzio Varella, para vender suplementos sem aprovação da Anvisa.
  • Além dos produtos: o grupo também vendia mentorias que ensinavam a criar anúncios falsos no Facebook e no Instagram.
  • Ainda não divulgado: número de suspeitos, cidades, prisões e vítimas. A investigação corre em sigilo.
Linha do tempo do golpe com deepfake de Drauzio Varella, do estudo da UFRJ à Operação Merovingian do MP-SP em novembro de 2026
Do estudo da UFRJ à operação do MP-SP de 4 de novembro de 2026.

O que é a Operação Merovingian?

É a operação do MP-SP contra um grupo suspeito de fazer propaganda enganosa nas redes sociais com imagens e vozes de pessoas conhecidas, sem autorização. Ela foi deflagrada na quarta-feira, 4 de novembro de 2026.

Segundo o Ministério Público, os anúncios atribuíam às celebridades recomendações de produtos com promessas de resultados milagrosos. Os itens vendidos não tinham aprovação da Anvisa nem indicação médica.

Os mandados foram cumpridos em imóveis ligados aos suspeitos. O material recolhido, como celulares e outros dispositivos, pode ajudar a identificar outros envolvidos e mais vítimas, segundo o Diário do Estado de São Paulo.

Como o golpe com deepfake de Drauzio Varella funcionava?

O golpe usava deepfake, técnica de IA generativa que cria vídeos e áudios falsos muito parecidos com uma pessoa real. Nos anúncios, o médico parecia indicar suplementos e substâncias que ele nunca recomendou.

As peças eram anúncios pagos nas redes sociais. Elas simulavam depoimentos e endossos para dar credibilidade aos produtos.

Hoje, ferramentas que animam fotos e clonam vozes estão ao alcance de qualquer pessoa, como mostramos no guia de IAs para criar vídeos. O mesmo recurso que serve para criar conteúdo legítimo é usado por golpistas.

Quem pediu a investigação?

O próprio Drauzio Varella. A apuração começou com uma representação apresentada por ele por meio do escritório Bottini & Tamasauskas Advogados.

Os advogados Igor Tamasauskas e Otávio Mazieiro disseram, segundo o Estadão Conteúdo, que a situação é grave, cada vez mais comum e afeta a saúde pública. “Os responsáveis terão de responder pelos danos que causaram”, afirmaram.

A defesa dos investigados não havia se manifestado até a publicação das reportagens de 4 de novembro.

O que a Justiça já decidiu sobre o uso da imagem do médico?

Este não é o primeiro capítulo. Em outubro de 2026, a 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo aumentou, por unanimidade, de R$ 10 mil para R$ 70 mil a indenização devida a Drauzio em um processo cível.

Esse processo trata de um curso que ensinava a produzir anúncios falsificados com o rosto e a voz do médico. O relator, desembargador Ramon Mateo Júnior, citou o uso de inteligência artificial para forjar uma recomendação médica que não existiu.

O tribunal estendeu a condenação à B&B Suplementos e Cosméticos (Brites Corp) e aos sócios. O pedido de devolução dos lucros foi negado por falta de prova de que os vídeos impulsionaram vendas. Ainda cabe recurso.

FrenteO que aconteceuQuando
Criminal (MP-SP)Operação Merovingian, com busca e apreensão4 de novembro de 2026
Cível (TJ-SP)Indenização sobe de R$ 10 mil para R$ 70 milOutubro de 2026
MetaProcessa duas empresas e brasileiros por deepfakes de celebridades26 de fevereiro de 2026
Pesquisa (UFRJ)76% de cerca de 170 mil anúncios de saúde na Meta com irregularidade ou fraudeDivulgada em dezembro de 2025

Por que o rosto de Drauzio Varella é tão usado em golpes?

Porque ele é um dos médicos mais conhecidos e confiáveis do país. Um estudo da UFRJ, divulgado no Fantástico em 21 de dezembro de 2025, apontou Drauzio como o nome mais recorrente nos anúncios falsos de saúde.

A pesquisa analisou quase 170 mil anúncios nas plataformas da Meta. Mais de 76% tinham algum tipo de irregularidade ou fraude, segundo o Tecnoblog. Os temas mais comuns eram câncer, diabetes, emagrecimento e disfunção erétil.

Em cerca de 85% dos casos, um clique levava ao WhatsApp, onde os golpistas pressionavam pela compra.

Em fala reproduzida pelo Tecnoblog, o médico lembrou que o Código de Ética Médica proíbe médicos de fazer propaganda de medicamentos. “Toda vez que você vir meu nome ligado a um medicamento, é mentira”, disse.

O que a Meta faz contra esses anúncios?

Em 26 de fevereiro de 2026, a Meta anunciou processos contra anunciantes e consultores de marketing, incluindo brasileiros, por usar imagens e vozes alteradas de celebridades para vender produtos de saúde. A empresa não citou nomes, mas o Tecnoblog apurou que um dos casos envolvia Drauzio.

A empresa está no centro de outras disputas no Brasil, como a liminar que a proíbe de treinar IA com notícias e o caso da Meta AI nas eleições.

Seis sinais para identificar anúncio falso feito com IA, como o golpe com deepfake de Drauzio Varella
Seis sinais de que o anúncio pode ser um deepfake.

Como identificar um anúncio falso feito com IA?

Mesmo com deepfakes cada vez melhores, alguns sinais ajudam. Desconfie quando aparecer mais de um deles no mesmo anúncio:

  • Médico famoso vendendo produto: é o principal alerta. Médicos não podem fazer propaganda de medicamentos.
  • Promessa de cura ou resultado milagroso: “cura o diabetes”, “emagrece 10 kg em um mês”, “acaba com a dor para sempre”.
  • Boca fora de sincronia: lábios que não acompanham bem a fala, piscadas estranhas ou rosto “liso” demais.
  • Voz robótica ou sem respiração: entonação igual o tempo todo, pausas em lugares estranhos.
  • Pressa e escassez: “últimas unidades”, “só hoje”, cronômetro na tela.
  • Venda pelo WhatsApp: o clique leva a uma conversa em vez de uma loja com CNPJ, endereço e política de troca.

Se a pessoa do vídeo é famosa, procure o perfil oficial dela. Quase sempre, quem é alvo desses golpes já publicou um alerta dizendo que não vende nenhum produto.

O que muda para você?

Na prática, a operação mostra que esse tipo de golpe agora é tratado como caso de investigação criminal, e não só como “anúncio ruim” a ser removido. Mas os anúncios não vão sumir de uma hora para outra, e o cuidado continua sendo seu.

Antes de comprar qualquer suplemento ou remédio anunciado nas redes:

  1. Consulte a Anvisa: pesquise o nome do produto no site de consultas da agência para ver se ele tem registro ou notificação.
  2. Fale com um profissional de saúde: nenhum vídeo substitui uma consulta, ainda mais para doenças como câncer e diabetes.
  3. Não pague por link recebido no WhatsApp: compre só em lojas que você consegue identificar.
  4. Denuncie o anúncio: no Facebook e no Instagram, toque nos três pontinhos do anúncio e escolha a opção de denunciar.

Se você já comprou, guarde prints do anúncio, das conversas e do comprovante. Esses registros ajudam em um boletim de ocorrência, em uma reclamação no Procon e no pedido de estorno ao banco ou à operadora do cartão.

Vale também conversar com pais e avós. Eles costumam confiar em rostos conhecidos da TV e são alvo frequente. A própria Meta AI, que está no WhatsApp, não verifica anúncios; veja o que é a Meta AI e como ela funciona no WhatsApp.

Nossa análise

O golpe com deepfake de Drauzio Varella é o retrato de um problema maior: criar um vídeo falso convincente ficou barato, enquanto remover anúncios e punir os responsáveis continua lento.

O ponto mais grave do caso é a venda de mentorias. Se a suspeita se confirmar, o grupo não só aplicava o golpe como ensinava outras pessoas a repeti-lo. Isso ajuda a explicar por que, quando um anúncio cai, outro parecido aparece logo depois.

Perguntas frequentes

Drauzio Varella vende suplementos ou remédios?

Não. O próprio médico afirma que o Código de Ética Médica proíbe médicos de fazer propaganda de medicamentos e que todo anúncio com o nome dele ligado a um remédio é mentira.

O que é a Operação Merovingian?

É a operação do Ministério Público de São Paulo, deflagrada em 4 de novembro de 2026 pelo CyberGAECO com apoio do MP do Rio de Janeiro, contra um grupo suspeito de usar imagem e voz de famosos, como Drauzio Varella, para vender suplementos sem aprovação da Anvisa.

Alguém foi preso?

O MP-SP não divulgou prisões, número de suspeitos nem cidades da operação. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, e a investigação segue em sigilo.

Como saber se um vídeo é deepfake?

Observe se a boca acompanha a fala, se a voz soa robótica, se há promessa de cura e se a venda é feita pelo WhatsApp. Na dúvida, procure o perfil oficial da pessoa e nunca compre pelo anúncio.

Comprei o produto do anúncio falso. O que faço?

Pare de usar o produto e procure um profissional de saúde. Guarde prints do anúncio, das conversas e do pagamento, registre boletim de ocorrência, reclame no Procon e peça o estorno ao banco ou à operadora do cartão.

Conclusão

A Operação Merovingian leva para a esfera criminal o golpe com deepfake de Drauzio Varella e se soma à indenização ampliada pelo TJ-SP em outubro. Os detalhes ainda são poucos, e vamos atualizar este texto quando o MP-SP divulgar novas informações.

Fontes: O Liberal / Estadão Conteúdo, BPMoney, Diário do Estado de São Paulo, Tecnoblog (estudo UFRJ) e Tecnoblog (processos da Meta).

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